quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Falsos brilhantes

O título deste artigo peguei emprestado em uma música composta por João Bosco e cantada por  Elis Regina. Tomei a liberdade de adicionar-lhe o plural para ficar mais acomodada ao tema que tratarei e prometo serei breve, muito breve.

Há uma praga que infelizmente infesta o mundo corporativo chamada falsidade.

Começa desde o menor degrau da escala hierárquica e se agrava na medida em que ascendemos rumo aos cargos executivos.

A falsidade no entanto é típica de organismos rasteiros, menores, tipicamente répteis. A principal característica desses indivíduos é a melidicência quando se referem aos seus iguais, erroneamente chamados de colaboradores. Já quando acessam a diretoria, o comportamento muda, se tornam servís, gentís, solícitos e até se subalternizam (perdoem o neologismo).

São alpinistas corporativos que não medem as consequências de seus atos e envenenam os ambientes por onde passam, usando com habilidade a manobra covarde de debitar ao colega as suas incompetências e faturar alto quando alguma coisa dá certo.

Os escrúpulos dessa gente se limitam a usar as teclas CTRL+C e CTRL+V, copiando, roubando, se apoderando da inteligência alheia em benefício próprio.

Mas por que falsos brilhantes? Justamente porque ostentam aquilo que não foram, não são e nunca serão. Ostentam um saber que não apreenderam, manipulam, usam, descartam, subjugam e aos olhos de quem paga a conta fingem ser o que não são. São aqueles tradicionais lobos travestidos em pel de cordeiro.

As organizações infelizmente levam muito tempo para perceber a presença nefasta, nociva e degradante desses indivíduos. No longo prazo o pessoal de baixo se desestimula, cansa e se rende fazendo de conta que tudo vai bem.

As consequências para as empresas são extremamente danosas. Seus dirigentes quando descobrem a farsa, quando descobrem que compraram gato por lebre, que o diamante não passa de bijouteria barata, aprendem também que o dinheiro não aceita desaforo e que terão que contabilizar sérios prejuízos.

Nessa hora se lembram dos RHs modernos. Não aqueles que controlam ponto, mas aqueles que transformam as pessoas, que contribuem de verdade para que as pessoas se sintam minimamente seguras e importantes dentro das organizações.

Enquanto perdurarem os falsos brilhantes veremos organizações doentes, fenecendo de fome de seu principal ingrediente interno: a valorização das pessoas.

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